sexta-feira, agosto 28, 2015

.::FAÇO POR MIM::.

É, as mudanças continuam. 



Já são quase duas semanas sem chocolate e estou sobrevivendo. Faz falta porque eu gosto muito e porque muita coisa gostosa tem chocolate. E cortei o "choco" e derivados: bolos, achocolatados, nutella, brigadeiro...

(Eu confesso que estou com vontade de comer um bolo de cenoura com brigadeiro na massa, já viram? Se não viram, não vejam!)

Sobre as outras mudanças: estou bebendo água o dia todo (ainda sem controlar quantidade), almoçando mais tarde (eu almoçava muito cedo) e repondo as vitaminas que preciso.  

Semana passada, por exemplo, foi dia de tomar a última dose de Noripurum e a primeira de Citoneurim (B12). 


Não é uma coisa gostosa de fazer, mas necessária.

Promover todo dia uma mudança tá sendo mais difícil que imaginava. Não tenho tanto tempo pra ficar pensando na mudança do dia e ainda manter as mudanças anteriores. 

Então, resolvi promover uma mudança por semana. Começando no sábado, pra sacanear a gordeta que vive dentro de mim e está em fase de expansão pra meu DESESPERO. 

1a semana: NO CHOCOLATE ✔️
2a semana: beber mais água ✔️
3a semana: colorir o prato; ter sempre salada na geladeira ��

Porque eu preciso mudar! Não suporto mais me olhar no espelho e ver isso:


Por que, POR QUE, o Senhor inventou a "banha"? 


segunda-feira, agosto 17, 2015

.:MUDAR PRA VENCER:.

Tudo na vida poderia ser tão fácil quanto engordar é pra mim.

Deveria ser fácil emagrecer, ganhar dinheiro, viajar, ser feliz!

Mas não, não, não. Na vida quase tudo pode ser comprado ao trabalho.

Trabalhar é bom, mas vamos combinar que trabalhamos pensando na recompensa do final do mês. E mesmo suando a camisa todos os dias, alguns recebem um salário digno do trabalho, outros são professores.

Perder peso é mais ou menos como trabalhar, você tem que fazer um monte de coisas durante um determinado período pra, então, ver a consequência que nem sempre é tão animadora assim. Às vezes, são míseras gramas...

Maaaaaaas a gente tem que começar de algum lugar e eu resolvi promover uma mudança por dia. Uma pequena mudança que seja.

PRIMEIRA MUDANÇA
Ontem comecei o desafio pessoal sem motivo nem piedade:

100 dias SEM chocolate ������

Não que chocolate seja meu único problema, mas ficar sem alguma coisa pode me ajudar a controlar a ansiedade de sair devorando tudo po aí.

Então, não se trata apenas de ficar sem chocolate, como também aprender a controlar a vontade e dizer não.

SEGUNDA MUDANÇA
Hoje começo com a segunda mudança: voltar a beber água na maior quantidade possível. O fato de estar toda hora com um copo de água na mão diminui minha vontade de ficar beliscando. Sim, esse sempre foi um dos meus maiores problemas.

Muitas mudanças virão. Quem tiver dicas de pequenas mudanças que podem ajudar nessa minha mais nova velha jornada, deixe nos comentários. Toda ajuda é válida. 




terça-feira, agosto 11, 2015

.:ALGUNS MESES E QUILOS DEPOIS:.

Fala galera!
[minha única leitora deve estar pensando"gente, ela tá viva? é isso mesmo?"]

Claro! Mais viva e GORDA do que nunca.

Só pra lembrar:

Sou a Raphaelle, 33 anos, professora, mãe do Erick, esposa do Edgar, lutadora de V.V.P.B. (vou vencer a p*rra da balança).


Já cheguei a 104 kg em 2004, quando reduzi o estômago e cheguei nos 69kg. Engordei de novo. Em 2011 estava com 79kg e comecei o blog. 
Aprendi a comer e consegui o feito de engravidar com 70kg. Segurei a onda. Tive uma gravidez sem grandes problemas nesse campo. 

Agora, três anos após o nascimento, estou desesperada assim:
Dá um close no TAMANHO da pessoa.
Gente, que vergonha! Eu já pesei 70kg. Senhor, que tristeza!

É bem verdade que faz um tempinho que não escrevo. O autismo tomou conta da minha vida e, embora eu esteja trabalhando menos horas fora de casa, estou trabalhando um montão "dentro" dela.

Com a casa nova, o diagnóstico do Erick e as novas demandas de profissional, esposa, mãe, filha não deu pra cuidar muito da minha pessoa. 
A casa não é nenhuma mansão, muito pelo contrário.
Mas é maior que o "apê" e demanda mais tempo e dedicação.
Há uns meses liguei pra minha médica e expliquei que (1) estou sem tempo pra visitá-la, (2) tenho sentido muitas dores nas pernas a noite, (3) engordei horrores nos últimos meses. Cheguei aos 83 e uns quebrados quilos.

Ela me pediu um monte de exames. Um monte mesmo! Foram 56 no total. Fiz os de sangue, urina, aquele da esteira e outros chatos ginecológicos. A boa notícia é que vou viver por muito tempo e a má notícia é que vou viver por muito tempo. 

Os exames de sangue deram alterados na questão da ferritina, B-12 e vitamina D. Eu já esperava por isso, pra ser bem sincera.

Minha dosagem de hormônio da tireoide também deu suuuuuuuuuuper alterada, mas para saber o que é, terei de fazer mais exames.

Sai do consultório com pedido de:
- exames de sangue semanais
- 4 doses de B12 injetável no bumbum
- 2 doses de noripurum intravenoso
- 20 sessões com psicóloga

E o pior de tudo, a médica, assim como eu está preocupadíssima com o fato de eu ter engordado, coff coff, 10, eu disse DEZ quilos em 3 anos. É muito, né? Nem comendo um pote de nutella por dia eu conseguiria esse feito, Ou conseguiria? Não sei. Vamos investigar a tireoide e descobrir se a culpa é do hormônio ou se a culpa é da boca nervosa mesmo.



Eu quero ficar bem. Por ele. Pelo Edgar, mas principalmente por minha causa.

Eu mereço.




sábado, fevereiro 14, 2015

.:INFÂNCIA E ADOLESCENTE DA GORDINHA:.

Não tive uma infância ruim. Era uma criança tranquila que gostava de brincar em silêncio. Meus brinquedos favoritos eram Barbie e LEGO. Mamis costuma dizer que nunca dei trabalho. Não fazia escândalo, não dava problema na escola e tinha minhas amiguinhas do prédio e da escola. Sempre fui uma criança calma.

E magra.

Mas quando a tal da pré-adolescência chegou e meus quilinhos a mais também, tudo tornou-se uma tormenta. Passei a sentir um frio na barriga todos os dias na hora de ir pra escola. Queria sumir.


Veja, eu nem era tão GORDA quanto os meninos e pais das minhas amigas achavam. Mas o preconceito e a encheção de saco fizeram com que eu tivesse uma péssima impressão sobre mim mesma.

Ouvia muito (MUITO) nessa época:

.... seu ROSTO é tão lindo.
... faz diet, menina.
... você não acha que está muito gorda?

 [ainda ouço essas m*rdas de vez em quando, né?]

Não via como eu era comunicativa, educada, inteligente e interessada. Só via as qualidades dos outros. Minhas amigas eram P.E.R.F.E.I.T.A.S.

Eu não.

Nessa época lembro de querer ser outra pessoa com frequência. Achava impossível alguém se interessar por mim. Quando dei meu primeiro beijo, fugi do rapaz de vergonha. Pensei: se ele está interessado em mim, boa coisa ele não é.

Os meninos da escola enchiam meu saco, mas como eu aprendi a ignorar logo, não era a que mais sofria com o bullying. Uma garota muito mais magra que eu, era constantemente irritada por eles porque ela corria atrás deles, socava, perdia a paciência. Eles acham o máximo.

Às vezes, me pergunto porque nunca pedi ajuda a um professor ou aos meus pais...

Tudo conseguiu ficar pior na adolescência propriamente dita. Eu tenho certeza que nessa fase entrei em depressão. Os meninos da escola nova já não enchiam mais a paciência, mas o estrago já havia sido feito. Eu estava cada dia mais fechada. Com vergonha de aparecer em público. De ser notada. Minhas amigas iam pras baladas, enquanto eu lia livros.

Estudei por três anos nessa escola e não consigo citar o nome de mais de 15 pessoas que estudaram comigo (e olha que tinha do primeiro colegial A até o J!).



Quando entrei na faculdade, já era obesa mórbida, mas acho que por se tratar da USP, todo mundo era bem tranquilo em relação à isso.


É claro que hoje, como professora, sempre trabalho com os alunos a questão das diferenças. Saber que elas existem é importante, mas respeitar tod@s é fundamental!

Quem foi meu aluno (e tem um monte que lê o blog) sabe que eu sempre digo que RESPEITO e TOLERÂNCIA são inegociável para mim. Na minha classe ninguém nunca foi chamado por um nome que não quisesse.


quinta-feira, janeiro 15, 2015

.:SALADA NA MESA TODO DIA:.

Oi genteeee! 

Tô tão phyna na alimentação. Nem acredito.

Lanchinho da manhã: manga, banana e granola light Taeq
Estou até conseguindo beber 2 litros de água por dia. O calor ajuda no consumo e na falta de paciência, né?

A grande mudança na minha alimentação aconteceu por uma razão específica que eu ainda não tinha contado para vocês.

Há duas semanas um casal de amigos (ela, nutricionista e ele, analista de sistema) bolaram uma ideia simples e genial. Eles criaram um grupo pequeno no whatsapp e todos os membros do grupo devem postar fotos das suas refeições.

Participam do grupo: o casal, eu e o Edgar e mais três pessoas.

Tudo que comemos deve ser postado. Desde o café da manhã até a ceia. De segunda a segunda.

A Marister, que é a nutricionista, vai dando dicas e propondo alguns desafios.

Jantar de sábado: pizza de rúcula!
Porque eu sou muito determinada.
Não foi fácil no começo porque não tinha muita coisa saudável em casa, mas vendo as fotos da nutricionista e da irmã dela (que come absurdamente bem), tentei tirar algumas ideias e fui às compras light (castanhas, frutas, verduras...).


Como a gente tem que fotografar e postar no grupo tudo que a gente come, dá uma vergonha danada de comer errado ou de mandar 500 fotos por dia. Meu problema sempre foi que eu adoro beliscar fora de hora.

Minha vida continua super corrida. Meu filho já voltou para escola e também para a terapia. Meu marido também tem uma jornada tripla e temos muitas pendências para resolver na casa nova. Por isso tudo, preciso otimizar meu tempo na cozinha. Devo comer bem, mas não posso gastar muito tempo com isso.

Um jeito que eu bolei de ter sempre salada na mesa foi de deixá-la pronta (limpa) na geladeira. Compro já higienizado ou faço em casa. Normalmente dá pra umas 4 refeições porque eu como meio prato de salada.
Nessa semana: cenourinha baby cortadinha, rúcula que eu comprei higienizada,
alface baby krisp, milho cozido, palmito e tomatinho cereja.
Salada já montada no pote.
E assim vai para geladeira. Sem temperos.
Tem me ajudado muito.

Só temperar e ser feliz! 


segunda-feira, janeiro 12, 2015

.:DAQUI PRA FRENTE:.

O ano começou e eu não fiz minha lista de promessas. Se eu tivesse feito, era óbvio que eu ia colocar na lista EMAGRECER porque, como já havia dito antes, estou bem roliça. 

Mas eu não quis começar o ano cometendo o mesmo erro do passado: prometer e não cumprir. 

A verdade é que quero fazer do meu 2015, um ano diferente. E a única maneira de colocar isso em prática é FAZENDO. Planejar é importante, mas executar que é fundamental. 

Não quis vir aqui gritar ao vento que ia voltar a me alimentar bem e blá blá blá porque (pasmem!) tem gente que vem aqui para ler e torcer contra. É claro que eu estou falando de uma minoria, mas ainda assim, não agüento a cara de deboche quando pergutam: "continua comendo direito?". 

A pessoa pensa que eu não percebo que ela quer ouvir que desisti, que minha gula me venceu, que estou triste, desanimada... A balança pode ter me vencido, mas foi apenas uma batalha. A guerra continua. 

Enfim,...

Comecei 2015 mais leve. Mais colorido. Mais animada. Tenho 1.000.000 de pendências para resolver (minhas, da casa, do filho, do marido). Não posso me entregar. Tenho que cuidar de mim, estar bem. 

Estou começando a montar uma horta em casa. Por enquanto só tenho salsa e hortelã, mas aos poucos vou ter vários temperos e ervas. ����

Tenho criado soluções para matar a "fome" de doce e bebido muita água e chá gelado. 

 A agenda está cheia e não sobra muito tempo pra escrever. Aos poucos vou contando tudo por aqui.

Por enquanto, vou comemorando a disposição que ganhei depois que comecei a comer melhor.

Viva 2015! 

quarta-feira, dezembro 24, 2014

.:ENTÃO, É NATAL:.

10 presentes que qualquer mulher gostaria de ganhar no Natal
[ou em qualquer época do ano]

Não está em ordem de importância e, sim, por data das fotos.

1- Um cheque do papai.

2- Um dia no salão de cabeleireiro.

3- Um amor pra vida toda.

4- Um dia inteiro de COMPRAS. (com o dinheiro dos outros)

5- Uma viagem inesquecível.

6- Carinho e colo de mãe.

7- Um filho ou uma filha ou os dois.

8- Ser olhada, notada, compreendida.

9- Um passeio em família.

10- Um daqueles momentos em que choramos de tanto rir, sabe?



E você? Quer ganhar o quê?

terça-feira, dezembro 16, 2014

.:EM 2014, EU...:.



Faz uns 10 dias que comecei a considerar a possibilidade de fazer uma retrospectiva escrita do meu ano de 2014. Faça o mesmo!

Foram tantos momentos especiais que imaginei que meu texto ficaria longo e desisnteressante. Resolvi, então, escrevê-lo em tópicos. Vamos lá!

Em 2014, eu:

1- Comecei o ano contando o episódio em que eu, vergonhosamente, encalhei num escorregador infantil.

2- Elaborei um Quadro do Sonhos e realizei quatro itens durante o ano.

3- Fiz uma parceria com uma personal maravilhosa que me passou um treino completo para fazer na academia do prédio. A parceria só não deu mais resultado por falta de vergonha na cara de quem vos escreve.

4- Li muito mais do que podia e muito menos do que gostaria. Mas li! Foram, pelo menos, doze livros no ano (desconsiderando os que li para as crianças). Praticamente todos foram lidos no iPad

5- Tive duas turmas - 4o e 5o ano- maravilhosas! Alunos carinhosos, interessados e participativos. Foram presentes nesse meu ano tão complicado pessoalmente.

6- Deixei muito a desejar na minha atividade profissional em relação à qualidade do planejamento

7- "Larguei" um emprego.

8- Passei a conviver mais com meu filho. Ensinei-o a brincar, correr, pular, conhecer algunas animais...
No parque, falando "PA" para pato.
9- Descobri que meu filho está dentro do transtorno do espectro do autismo.

10- Recebi todo apoio, carinho, suporte dos  nossos familiares (mãe, pai, irmãos, sogra, sogro, cunhados, sobrinha, tios, primos...)
Erick, no seu aniversário de 2 anos,
ganhando uma casinha do vovô Elcio e da bisa.
11- Sofri com o preconceito dentro da minha classe profissional que não tem preparo nenhum para trabalhar com crianças especiais.

12- Modifiquei toda minha vida em função do Erick.

13- Vi meu marido desistir de um sonho para conquistar outro.

14- Continuei amando e admirando meu marido como ser humano, pai, profissional. 
15 - Fiquei 7 meses sem postar no blog (março a outubro).

16- Viajei para Orlando. De novo!

17- Vi um irmão reconquistar o amor-próprio e ser feliz!

18- Torci (morrendo de saudade) pelo outro irmão, que alçou voo e está estudando fora do país.
19- Mudei para uma casa.

20- Apareci na televisão, dando uma entrevista para a Record.

21- Mantive amizades com pessoas que vejo pouquíssimo, mas que me apoiam diariamente. Whastapp, te amo! Conheci mães, pais e avós que lutam dia e noite para a evolução das suas crianças com TEA.

22- Emagreci, engordei e engordei mais um pouco.

23- Postei no Facebook igual uma louca. Terapia-de-gente-moderna-e-sem-tempo!

24- Mesmo escrevendo tão pouco no blog, recebi muitos e-mails de pessoas do Brasil inteiro pedindo ajuda, compartilhando histórias, apoiando iniciativas ou, simplesmente, mandando apoio. Não respondi quase nenhuma mensagem porque vivo de um lado pro outro com as terapias do pequeno. Maaaaaaaaaaaaas queria agradecer IMENSAMENTE a todos que, de certa forma, seja através do comentário do blog, do inbox do Facebook, dos e-mails, mandaram mensagens de incentivo. Vocês são importantes para mim. Contatos da Gordinha

25- A minha gorda maneira, fui feliz.

terça-feira, dezembro 09, 2014

.::UM PARENTÊSES ENORME (AUTISMO)::.

Com a postagem anterior, o blog recebeu muitas visitas. Várias pessoas deixaram comentários, mandaram e-mail, comentaram no Facebook ou me mandaram mensagem inbox. Muito obrigada por todo carinho!


Entre muitas mensagens, um pedido de ajuda me chamou atenção.

Sou apenas uma mãe e, mesmo com as leituras e cursos que venho fazendo, sou totalmente leiga no assunto. Posso contar minha experiência e, se isso ajudar alguém, ficarei feliz.

MEU DEPOIMENTO
Da suspeita ao tratamento (um dia escrevo sobre os avanços)

Nossa desconfiança começou quando o Erick estava com 1ano e 11 meses. Na ocasião, eu estava de férias escolares por conta da Copa. Meu marido estava preocupado com o fato do Erick não falar. Um dia, ele me perguntou:

- Você acha que o Erick é autista?

Eu disse que NÃO. Na minha ignorância profissional, achava que "cada criança tem seu ritmo". Mesmo negando, comecei a observar o Erick no parquinho (sempre longe das crianças), nos momentos em que sentava e olhava para o nada e na maneira como ele simplesmente ignorava as pessoas. Para vocês terem uma ideia, um dia, durante as férias, encontramos a vó dele no shopping. A minha sogra cuidava do Erick desde que ele tinha 7 meses e eu voltei a trabalhar... Mesmo assim, ele passou por ela como se ela fosse uma desconhecida.

Determinado, meu marido buscou alguns testes na internet e aplicamos no Erick. Respondemos alguns testes juntos e outros separados. Depois, comparamos o "gabarito". Chorei demais nesse período (mas só nesse período!). Marcamos consulta com um pediatra bambambam e ouvimos que ele tinha "comportamentos autistas". Fomos encaminhados a outra pediatra - especialista no assunto - que fez uma anamnese e encaminhou para uma seção de fonoaudióloga por semana. Disse que ele era muito novinho e que, embora apresentasse algumas características dentro do espectro, também tinha outras que não combinavam com o diagnóstico. Nos enchemos de esperança e alívio.


Visitei muitos médicos (pediatras foram 3, neuro pediatras, 2), mas ninguém sabia o que dizer(!). Os médicos não estão preparados para dar o diagnóstico numa criança tão pequena.

A fonoaudióloga era ótima. Deu muitas dicas de como ajudar em casa e, graças a ela, conseguimos enormes progressos com o Erick no brincar. A fala também estava ali, aparecendo um tiquito a cada dia.

Essa foto já é depois do início da terapia com a fonoaudióloga.Investimos pesado nas brincadeiras de faz de conta.
Mas era pouco. Meu marido (de novo!) um dia chegou em casa e falou que a gente estava acomodado e não estava fazendo o que deveria. Ele mencionou que estava lendo algo sobre intervenção precoce e tratamento intensivo. Era o oposto do que estávamos fazendo com apenas uma hora de fono por semana.

Pedi ajuda a pais de crianças autistas e descobri o que os médicos deveriam ter me orientado: deveria visitar um psiquiatra infantil experiente no assunto. Fomos no Dr. Estevão Vadasz (super recomendo!) e em uma hora e meia de atendimento já tínhamos um diagnóstico e, principalmente, um encaminhamento para as intervenções necessárias. Dr. Estevão nos avisou que no Brasil é muito difícil conseguir o que o Erick precisa do setor público porque são muitas horas (10 semanais) e por falta de profissionais especializados no assunto.

Meu filho é brasileiro e, como todos, tem seus direitos garantidos na Constituição Federal e demais leis que regem o país.

Por ele, vamos lutar para assegurar seu direito de ser igual, sendo diferente.

O princípio da igualdade pressupõe que as pessoas colocadas em situações diferentes sejam tratadas de forma desigual: “Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades”. (NERY JUNIOR, 1999, p. 42). Conteúdo completo aqui.

Tem muita gente que diz que somos corajosos por assumir esse diagnóstico assim "de cara limpa", sem ficar chorando as pitangas e blábláblá. Tem muita gente que acha que a gente deveria contestar o laudo, esperar mais um pouquinho... Esperar para quê?

Brasileiro tem cada mania estranha...

Enfim, minha mensagem a todas as mães que desconfiam alguma coisa do desenvolvimento do seu filho é NÃO DEMORE PARA AGIR. O amor é o sentimento que impulsiona toda luta, MAAAAAAAAAAS seu filho não vai viver de amor. Ele precisa ter condições de se desenvolver para ser um ser humano autônomo.


Um blog completo sobre o assunto é o Lagarta Vira Pupa. Li inteiro e chorei em cada post durante o período de desconfiança. A Andrea é maravilhosa. Sou apaixonada pelo Theo.

domingo, dezembro 07, 2014

.:O ASSUNTO É SÉRIO:.

Eu sei que muitos visitam o Memórias da Gordinha para saber sobre a minha reeducação alimentar.

Torcem imensamente por mim porque (1) eu sou uma simpatia [menos, queridinha, menos], (2) sou como vocês e vivo diariamente a luta contra a maleteda e (3) porra a pessoa tem um blog sobre isso, tem que emagrecer, né?

Mais do que nunca, tenho motivo para fazer diversas postagens sobre o assunto, afinal, engordei 20kg(!) depois de ter perdido 35kg na redução de estômago.

Sempre procurei manter o assunto do blog, mesmo quando queria escrever sobre outro assunto. Porém, hoje, preciso falar sobre outra coisa.

Sei que estou uma rolhinha de poço, entretanto, não consigo ir em frente na reeducação alimentar porque não dá para focar nisso agora. Não é desculpa esfarrapada. Parece. Talvez seja um pouco. Posso considerar até negligência da minha parte, mas faço isso consciente.

Consciente de que, no momento, tudo que está além do que preciso fazer pelo meu filho, é luxo. Sei que minha posição altruísta, se é que posso chamar assim, vai parecer meio tola. Afinal, estamos vivendo a sociedade que os filhos são criados pelas avós, escolas, babas, iPads, televisões, celulares... Muitas mulheres deram o grito de liberdade e entenderam que, entre outras coisas, o papel de consumidora mulher supera o de mãe.

Talvez meu filho até pudesse ser tratado dessa forma "moderna", se ele não tivesse a necessidade de uma intervenção diferenciada.

Há 5 meses começamos a investigar o atraso de línguagem do Erick (aos 1 ano e 11 meses ele não falava, não pedia, não compartilhava olhares, brincadeiras, preferia o isolamento à outras crianças) e descobrimos que o ele está dentro do espectro do autismo.

Ele adora letras e números. Sabe "falar"e
reconhecer números de 1 a 5 e algumas letras do alfabeto.
Desde o diagnóstico [que é um Norte e não um ponto final] até o dia de hoje, tenho estudado, lido muitos sites, livros, leis, artigos acadêmicos... Passamos frequentemente em médicos, triagens, fazemos exames, buscamos atendimento público (sem sucesso). Como você deve imaginar, tudo isso toma tempo, gasta energia.

Hoje aos 2 anos e 4 meses, o Erick faz terapia diariamente. São 08 horas semanais de intervenção (entre psicóloga e fonoaudióloga) e pretendemos aumentar para 10h em Janeiro. Os resultados têm sido muito gratificante, maaaaaaaaaaaaas todo dia é uma batalha.

Batalha para conseguir o direito de me afastar do trabalho para cuidar do meu próprio filho.
Batalha para conseguir atendimento em locais públicos de referência.
Batalha para conseguir tratamento gratuito e especializado, segundo pedido médico.

Todo dia ouço NÃO. NÃO. NÃO!

Ouço, mas não aceito

Minhas amigas de infância sabem que sempre quis ser mãe, assim como meu marido sempre quis ser pai. Então, abrir mãos de sonhos e papéis sociais não está sendo motivo de crises para nós.

Enfim, não estou dizendo que abandonarei meus outros papéis (esposa, filha, neta, professora, bloguera). Quero apenas que entendam que, no momento, não posso colocar toda minha energia na reeducação alimentar, embora eu possa ir recuperando bons hábitos aos poucos.

Sei que vai chegar um dia em que, vencidas algumas batalhas, vou poder recuperar o foco na alimentação minha saúde. Mas esse tempo não é agora.

Escrevi um texto enorme porque achei importante compartilhar com vocês esse momento da minha vida.