sábado, fevereiro 14, 2015

.:INFÂNCIA E ADOLESCENTE DA GORDINHA:.

Não tive uma infância ruim. Era uma criança tranquila que gostava de brincar em silêncio. Meus brinquedos favoritos eram Barbie e LEGO. Mamis costuma dizer que nunca dei trabalho. Não fazia escândalo, não dava problema na escola e tinha minhas amiguinhas do prédio e da escola. Sempre fui uma criança calma.

E magra.

Mas quando a tal da pré-adolescência chegou e meus quilinhos a mais também, tudo tornou-se uma tormenta. Passei a sentir um frio na barriga todos os dias na hora de ir pra escola. Queria sumir.


Veja, eu nem era tão GORDA quanto os meninos e pais das minhas amigas achavam. Mas o preconceito e a encheção de saco fizeram com que eu tivesse uma péssima impressão sobre mim mesma.

Ouvia muito (MUITO) nessa época:

.... seu ROSTO é tão lindo.
... faz diet, menina.
... você não acha que está muito gorda?

 [ainda ouço essas m*rdas de vez em quando, né?]

Não via como eu era comunicativa, educada, inteligente e interessada. Só via as qualidades dos outros. Minhas amigas eram P.E.R.F.E.I.T.A.S.

Eu não.

Nessa época lembro de querer ser outra pessoa com frequência. Achava impossível alguém se interessar por mim. Quando dei meu primeiro beijo, fugi do rapaz de vergonha. Pensei: se ele está interessado em mim, boa coisa ele não é.

Os meninos da escola enchiam meu saco, mas como eu aprendi a ignorar logo, não era a que mais sofria com o bullying. Uma garota muito mais magra que eu, era constantemente irritada por eles porque ela corria atrás deles, socava, perdia a paciência. Eles acham o máximo.

Às vezes, me pergunto porque nunca pedi ajuda a um professor ou aos meus pais...

Tudo conseguiu ficar pior na adolescência propriamente dita. Eu tenho certeza que nessa fase entrei em depressão. Os meninos da escola nova já não enchiam mais a paciência, mas o estrago já havia sido feito. Eu estava cada dia mais fechada. Com vergonha de aparecer em público. De ser notada. Minhas amigas iam pras baladas, enquanto eu lia livros.

Estudei por três anos nessa escola e não consigo citar o nome de mais de 15 pessoas que estudaram comigo (e olha que tinha do primeiro colegial A até o J!).



Quando entrei na faculdade, já era obesa mórbida, mas acho que por se tratar da USP, todo mundo era bem tranquilo em relação à isso.


É claro que hoje, como professora, sempre trabalho com os alunos a questão das diferenças. Saber que elas existem é importante, mas respeitar tod@s é fundamental!

Quem foi meu aluno (e tem um monte que lê o blog) sabe que eu sempre digo que RESPEITO e TOLERÂNCIA são inegociável para mim. Na minha classe ninguém nunca foi chamado por um nome que não quisesse.