sexta-feira, outubro 24, 2014

.::PARTIU::.

A casa vai ficando vazia. Ouço o barulho das caixas sendo fechadas com fita adesiva, das bolhas sendo estouradas no plástico bolha, do papel sendo rasgado para embalar as loucas. Sento no vaso para escrever, pois não resta mais cadeira, puff, branquinho ou sofá. 

Permito-me um mísero momento de reflexão. 

Esse apartamento tem tanta história.

Compramos quando ainda estávamos namorando. Loucura, né? Tínhamos um ano de namoro e começamos a olhar alguns empreendimentos, sem compromisso. (Olha só no que deu!)

Eu lembro da gente saindo para comemorar a compra do apartamento e o Edgar com aquela cara de "Meu Deus, como a gente vai pagar por isso?". E eu, na maior tranqüilidade. 

Aqui, montamos tudo aos poucos, do nosso jeitinho. Fizemos sanca não gostamos e demolimos. Pedimos três quartos, derrubamos paredes e ficamos com dois. Escolhemos o piso, as cubas do banheiro, a cor da parede, os móveis. Planejamos, executamos e aproveitamos tudo muito bem. 

Levamos anos para comprar uma televisão do jeito que sonhávamos. Demoramos anos para colocar as persianas e até hoje o banheiro não tem os "spots" da maquiagem. 

Quando chegamos aqui, éramos dois: Raphaelle e Edgar. Nos tornamos um em 2010. 

Voltamos a ser três em 2012.

Nem tudo foram flores. Foi aqui que vivi minha depressão, que (emagreci e) engordei, que briguei pela primeira vez com o marido. 

Foi minha moradia, meu aconchego, meu lar doce lar durante cinco anos. Foi tudo muito intenso e bem vivido. 

A casa está tão vazia que ouço o eco dos meus pensamentos. 

- Apêzinho, adeus! Continue abrigando muitas outras histórias felizes. 

quinta-feira, outubro 16, 2014

.:NOVO CICLO, MUITAS POSSIBILIDADES:.

[Hoje quero falar de outras coisas. Sobre a reeducação alimentar, a única novidade é que marquei consulta com uma nutricionista no começo de novembro.]

Quem é meu amigo no Facebook, deve ter visto uma postagem que fiz falando sobre um momento muito difícil da minha vida.

Um belo dia, tudo muda. Suas expectativas de uma vida são frustradas. Você se sente sozinho, impotente. Dá raiva. Dá medo. Você chora. Descobre que tem ao seu lado pessoas maravilhosas, que te incentivam a seguir em frente. Pessoas que te ouvem, que partilham do seu choro, que se importam. O tempo passa. Você descobre que entre suas qualidades está a perseverança. Você não desiste. A vida te mostra outro ângulo. Novas expectativas são construídas e um aprendizado enorme se inicia. O maior deles: pense e faça tudo pensando no HOJE!

"Um belo dia" aconteceu em Julho, mas às vezes parece que foi a milhares de anos... e doeu. Doeu muito.

Por alguns dias, só conseguia olhar para o Erick e chorar. Meu filho precisava de mim e do meu marido por inteiro. Não podíamos nos dar ao luxo de sucumbir.
Com 1 ano, no meu aniversário na Pizza Hut.
Esse cabelinho liso ficou pra história...
Era também um momento delicado pra minha família (irmãos e pais).

Momento de mudanças, de abandonar o que não estava dando certo e tentar outras coisas.
Os três. Na partida do Nato para os EUA.
Saudades imensas.
Todo mundo sabe que sair da zona de conforto é dureza. Você tem que abandonar vícios e tentar encontrar outras formas de fazer as coisas.

Foi exatamente o que fiz. Mudei a perspectiva. Aceitei o desafio, fui estudar, ler, entender, questionar.

Dá mais trabalho estar fora do padrão, mas é imensamente gratificante acompanhar o desenvolvimento do seu filho. Aliás, aprendi a compará-lo apenas a ele mesmo. Ensinei meu filho a brincar de carrinho, de casinha, de bola, de boneca, de quebra-cabeça, de bloco, de encaixe, de fazer comidinha.


Nesse cenário de "100% Mãe do Erick" não dava para pensar alimentação saudável, atividade física, aliás, não dava para pensar em mim.

Até que um dia eu estava lendo um material e tinha um capítulo sobre "Cuidar dos cuidadores".

A ficha caiu.

Era óbvio. Muitas pessoas passaram pela mesma fase que eu estava vivendo e "abandonaram" suas vidas para viver em função do filho. Mas não era isso que eu queria para mim, nem para o Erick.

Por isso, voltei com o blog. Escrever para mim é terapia. É prazeroso, relaxante e só me faz bem.

Emagrecer é lucro.


terça-feira, outubro 14, 2014

.::CONTATOS DA GORDINHA::.

Muitas pessoas comentam no blog pedindo meu e-mail. 

Meu email é o raphaellefv@gmail.com. 

Também tenho uma página no Facebook. (Memórias da Gordinha)

Não tenho Twitter, Instagram... Porque eu tenho uma vida "real" corrida e o blog é só uma terapia. 😃

Minha página do Facebook é pessoal, mas se quiser me adicionar, manda um email antes. (Raphaelle Vicentin) 😜


segunda-feira, outubro 13, 2014

.::VESTE A CORAGEM::.

Recebi minha primeira "crítica ofensiva" aqui do blog através de um comentário anônimo no ultimo post.

E quero deixar claro que críticas são sempre bem-vindas. Já recebi várias. A maioria com muita razão. 

Comentários anônimos também são comuns, uma vez que a algumas pessoas não tem conta no Google. Então, faz parte.

Sempre encarei os comentários como um carinho (mesmos os que criticam), pois se a pessoa clicou no botão do comentário e gastou seu rico tempo escrevendo pra mim é porque ela acha que o que tem a dizer é pertinente e, o mínimo que ela merece, é atenção e respeito.

Agora quando junta comentário anônimo + critica maldosa o resultado só pode ser uma atitude covarde.

Sim, porque eu sempre digo aos meus alunos que ter coragem é falar na cara. 

Enfim, gostaria de fazer algumas considerações sobre o que foi escrito pra vocês entenderem porque eu achei melhor escrever esse post.

(Quem quiser ler o comentário integralmente, pode ir no post anterior e clicar nos comentários. Eu não o exclui. Não tenho nada a esconder.)

Bom, a pessoa diz:

"fico muito triste quando vejo pessoas que reduziram o estomago chegarem a este estado novamente" 

"esse estado novamente" quer dizer o que exatamente? Porque a gente reduz o estômago quando é obeso mórbido. Hoje eu estou com obesidade grau um, então, não voltei a estado de antes da redução. 

"poxa voltar desse jeito sem um pedaço do seu estomago é complicado neh gata...."

Pra sua informação, não se tira nenhum pedaço do estômago, apenas há uma redução do tamanho. Fica disponível a parte menos elástica. A outra parte, fica inativa, mas dentro do meu corpinho roliço.

" vc passou por uma cirurgia pavorosa, (...) mesmo assim vc voltou a engordar... (...) vinha aqui postar todo dia q tava indo na academia do condominio e etc, e agora ta comendo que nem doida... vamos acordar neh"

Aqui é tanta bobagem, que dói responder. Cirurgia pavorosa, para quem? Pra mim não foi. Foi através dela que conheci meu marido, que aprendi a me conhecer e amar, que tive a chance de fazer diferente. Pesava 104kg e estou com 80kg. A cirurgia não é um ponto final, é um meio. Só quem passou por ela sabe.

Se eu falhei em ir a academia e engordei novamente é porque (1) lidar com comida é complicado pra mim (você não se tocou que tenho um BLOG sobre isso?) e (2) porque eu represento uma imensa população que tenta achar uma maneira eficiente de estar saudável e feliz com o próprio corpo.

Se fosse fácil, eu não teria tantas histórias para contar a respeito desse assunto.

Vamos fazer o seguinte, enquanto gasto meu tempo "acordando", você gasta aprendendo a escrever, pode ser?




quarta-feira, outubro 08, 2014

.::QUEM É VIVO SEMPRE ENGORDA:.

"Vai começar
A brincadeira
Da Gordinha
Furibunda"

E também aquela velha ladainha sobre o motivo do meu sumiço.

Quem me acompanha de perto na vida real, sabe que nos últimos três meses tudo mudou na minha vidinha roliça. 

Antes, eu trabalhava de manhã numa escola e de tarde em outra. Passava 12 horas longe do meu filho.

Mas depois do final das "férias da Copa", não voltei ao trabalho e passei a ser a Mãe do Erick em tempo quase integral. Pedi um afastamento de uma das escolas para cuidar dele porque tem coisas que é obrigação da mãe e ponto final.

O que ele tem? Na verdade a pergunta não é bem essa, mas não gostaria de falar nisso ainda. Será que pode ser? Prometo que em outro momento coloco todos os pingos nos Is.

Faz meses que não posto aqui no Memórias e, claro, que ficar sem falar sobre a luta contra a balança é a mesma coisa que assumir meu papel de perdedora porque nesse tempo a única coisa que fiz foi comer muito e muito errado. 

Isso representa duas derrotas:
- voltei aos hábitos alimentares nada saudáveis; 
- adquiri hábitos ainda piores.

Normalmente, eu comia apenas errado, mas agora o trem descarrilou e perdi a linha de vez! Como muitas vezes por dia. Não tenho hora fixa pra nada. Não consumo frutas, verduras e legumes. Não bebo água. Como bolachas diariamente. Às vezes, um pacote inteiro!😰

Obviamente que isso tem um preço alto: 80kg, eu disse OITENTA QUILOS de pura simpatia e bom humor.

E eu só tive esse peso aos 9 meses de gravidez (e claro, antes de reduzir o estômago). Ou seja, um retrocesso histórico.

Mas se eu estou aqui hoje para lutar pelos direitos das Gordinhas Furibundas de todo meu Brasil. Livre de partidos que prometem dietas milagrosas, eu só quero voltar a caber nas minhas roupas e ser feliz com a imagem no espelho. Pode ser ou tá difícil?

Ta difícil. 

Mas dei o primeiro passo. Voltei a comer salada, diminui consideravelmente os carboidratos na janta e passei a tomar água.

Tá não é um puta avanço. Mas é.

O texto está meio confuso porque ele reflete muito do meu estado atual. 😛😊

Com o tempo, eu melhoro ou vocês se acostumam ...